segunda-feira, 16 de abril de 2012

... "a arte do movimento"

#OcupaEstelita
Neste exato momento, minha ocupação devia ser a leitura, a pesquisa e a escrita dos projetos que estão pagando as minhas contas e, felizmente, alimentando parte da minha alma. Mas, não consigo me ocupar de algo que não seja pensar e navegar pela repercussão do #OcupeEstelita na internet e em mim...

Eu li a pouco um excelente (e de bastante propriedade) texto da arquiteta e querida Marília Cireno (já com quase 90 compartilhamentos no facebook!), compartilhei um vídeo do cineasta e também querido Cláudio Assis invadindo a Rio+20 e entregando uma carta do movimento ao governador Eduardo Campos, já visualizei fotos bacanas que sintetizam parte do ato em si, acabei de baixar as poucas que eu mesma tirei ao mesmo tempo em que cuidava do meu amado filhote...

Joaquim (é o nome dele) estava ontem ali no Cais Estelita "tão desavisado", só querendo esvaziar - como sempre!- a enorme carga de energia diária que ele tem e, assumidamente e literalmente, eu e o pai estávamos unindo o "útil ao agradável": 
cumprindo as nossas amorosas funções de pais e marcando presença num raro e importante momento (não só movimento!) de sociabilidade em função de algo que não fosse apenas a necessidade - cada vez mais individualizada - que todos nós temos de dialogar, espairecer e/ou extravasar em espaços públicos que, na real, são quase sempre privados. 

Botecos, bares, restaurantes, festinhas, casas de amigos... É quase uma necessidade básica, uma causa séria de sanidade mental este aspecto da interação humana. No entanto, numa cidade violenta, caótica e, por vezes, hostil como o Recife, faltam verdadeiros espaços de congregação pública, assim como um sentimento e disposição acolhedora para interagir com "o vizinho desconhecido que ainda não sabemos de que panela faz parte"!

Falo isso tudo como um preâmbulo fundamental - e quem porventura tiver disposição para ler pode estar pensando: o que tem a ver lé com cré? - nesta questão de estarmos reivindicando um outro tipo de ocupação para o Cais Estelita... nós não só estamos com medo de vermos as zonas de proteção social dilaceradas, de encararmos diante de nós  uma "Nova Dubai", de perdemos uma saudável referência urbana e cultural da cidade do Recife, mas acredito também que de continuarmos nos contaminando com a paranóia que a impessoalidade e competitividade de estruturas arquitetônicas desta "não-natureza" nos traz se camuflando num sistema capitalista que só progride é em "valores concretos"!

Aos críticos desse "encontro" tão bonito e consciente que foi o #OcupaEstelita de ontem (15.04.12), àqueles que o rotulam elitista, burguês, tardio, ou talvez ainda enfraquecido política e financeiramente (como eu confesso ainda sentir!), qual seria a sugestão?
Não ocupar? "Não se ocupar? Não se movimentar e não aproveitar a ocasião para se "desarmar" e se sensibilizar com a singularidade de encontrar amigos, queridos, conhecidos e/ou desconhecidos que compactuam da mesma indignação social, política e econômica que você? 

Mesmo que tenhamos boas câmeras, iphones e camisas Henrig's para aplicar o estencil com "a arte do movimento", que mal existe nisso gente?! Uma coisa não nega a outra! Confesso que também tenho desejos de consumo, mas eles não me fazem perder a essência de uma das coisas que mais desejo na vida: um mundo com mais amor, menos concreto e "sinceros encontros de toda a natureza em espaços públicos mesmo que não mais tão verdes"!

Que o meu filho Joaquim possa se orgulhar daqui a uns anos de ter feito pic nic e umas pinturinhas num Cais Estelita que - com fé também em Deus (à quem também recorro quando tenho enfrentamentos com "forcas poderosas e ocultas!") - vai estar "ainda mais humanamente ocupado"!



(parênteses)

>link do texto de Marília Cireno
http://www.facebook.com/notes/atelier-seis/ocupa-ou-desocupa-o-%C3%BAltimo-suspiro-do-cais-jos%C3%A9-estelita/293229907418622

>link do vídeo de Craudão
http://youtu.be/QltfsKEnICg

>link do flickr do grupo Direitos Urbanos http://www.flickr.com/photos/direitosurbanos/sets/72157629462741968/  

>link de um vídeo do Vurto
 http://vimeo.com/40442387

>link de outro texto que achei bacana
http://www.horoscopo.blogspot.com.br/2012/04/naoescrevasemsaber.html

"... meditando nas causas, não só nos efeitos!"


quarta-feira, 21 de março de 2012

Práticas Diárias


Mais um dos lindos e simbólicos desenhos de minha querida Iansã Negrão- q pratica, divinamente, o ato de desenhar... 





 


hj, depois de alguns meses, fui pra minha aula de Yôga de manhã cedo - às 7h - e não à tarde (17h)... acordei 6h, dei um beijo no meu filho e marido, um bom dia pra funcionária, me enchi de coragem pra superar os "sempre insistentes resquícios de sono" e fui andando já para aquecer o corpo...

durante o caminho, fui me enchendo de energia e "prana" com o sol e a beleza da manhã... percebendo o movimento do despertar do meu bairro, das pessoas que vagam ou se apressam no meio da rua para chegar no trabalho e/ou em lugar nenhum! 

encontrei Mércia, a atendente da quitanda "Mangaio"a caminho de lá- aonde faço minha feira orgânica todas as quartas-feiras e sou chamada pelo nome ao entrar, coisa que para mim pagam os reaiszinhos extras dos seus preços. dei um tchauzinho e me senti muito grata pela sensação acolhedora de "reconhecimento da vizinhança"!

agradeci aos Deuses pela minha disposição física e o meu bom humor, que não me impediram de despertar e começar o dia com tanta positividade, deixando de lado as mazelas emocionais e tantas demandas pragmáticas diárias que por vezes tiram a poesia de se dedicar a pequenas e tão grandiosas atividades como essas descritas...

me contorci de contentamento ao chegar no Yôga e praticar.
respirei com muita vontade de superar todas as limitações, nódulos, dores e cegueiras - quase sempre construídas pela minha própria mente e ditadas pelas minhas priorizações na dinâmica de vida-
que "o meu ser" acumula todos os dias, a 31 anos...

pensei:

-como é importante ter cada vez mais atenção, dedicação, precisão e sutileza em todos os movimentos diários e repetitivos para que o corpo entre em harmonia com a mente e vice-versa...

pensei de novo, o óbvio:

- uma evolução pessoal e de felicidade nas nossas "paisagens de vida" só são adquiridas com a prática diária não só do Yôga, mas de tudo, inclusive dos bons pensamentos!


segunda-feira, 19 de março de 2012

"moda criativamente autônoma"...


Segue abaixo e na íntegra o meu feed back e depoimento de participação no evento "Ocupação Moda Cultural" que ocorreu este ano na cidade do Recife de 04 a 17 de Fevereiro e, para mim, foi emblemático para a área de uma maneira geral...

O meu nome é Caroline Monteiro Jacintho de Oliveira - já assinei também como Carol Monteiro, mas depois de algumas confusões entre eu e a outra Carol, que é hoje a gerente de moda da Prefeitura do Recife, resolvi assinar Oliveira.

Eu nasci em João Pessoa, morei anos em Salvador e em 2004 cheguei ao Recife para trabalhar na Luni Produções.

Desde então, sempre estive conectada com a área cultural da cidade. Na moda, eu comecei a atuar, efetivamente, em 2005 com uma marca de roupas então chamada de espelho meu. A minha sócia nessa marca (Camila Ferza) e eu chegamos a fazer 2 coleções oficiais entre "inter-coleções" paralelas, além de alguns eventos culturais de moda. Nós vendíamos, oficialmente, na Moda Nacional e Bendito Fruto (esta última de Carol Monteiro)- ambas localizadas no
Paço Alfândega, mas vivíamos divulgando, prospectando e correndo atrás de clientes de maneira bem pessoal para tentar sustentar "o sonho" de viver da criação, produção e venda de peças de roupas exclusivas e "não standartizadas"... 

No entanto, em determinado momento começaram a surgir "os nós e os contras": falta e muita dificuldade com a mão de obra terceirizada das poucas modelistas e boas costureias que existem na cidade e não estão empregadas em "fábricas de linha de montagem de reprodução da moda midiatizada"; nenhum apoio institucional ou financeiro para que pudéssemos levantar um capital de giro na produção de nossas pequenas e personalizadas "coleções de moda mais culturais do que comerciais";
dificuldade de fazer as nossas criações "ganharem o mundo e o corpo das pessoas", uma vez que o nosso produto encarecia demasiadamente ao entrar nas lojas voltadas pro mercado comum; nenhum evento cultural, de fato, produzido pelo governo e/ou prefeitura que tivesse a proposta de mostrar o que boa parte dos criadores locais andavam fazendo... enfim, muitos contras e quase nada a nosso favor ou que nos desse suporte para que continuássemos nos expressando culturalmente pela criação de vestimentas, produção de moda e figurino e ao mesmo tempo pudéssemos honrar nossos compromissos financeiros.

Camila Ferza desencanou da área de estilismo e foi trabalhar com produção de desfiles e cia. Hoje vive no Rio de Janeiro e morre de vontade de voltar para a sua terra. Eu ainda me determinei por volta de 2006 com uma nova marca chamada Alinhada. No entanto, depois de 3 coleções e 1 gravidez, percebi que precisava ampliar meus interesses profissionais e reconfigurar a amplitude de atividades da marca se não quisesse, literalmente, "ficar over" nas minhas finanças!

Enfim, como esse relato é sobre o Ocupação Moda Cultural e eu não posso me estender muito, com receio de não ser lida e/ou soar pessoal por demais, vou deixar as entrelinhas da minha trajetória para outro momento. Mas, não sem reforçar antes o quanto também é importante dar o meu "depoimento e feed back personalizado", uma vez que a minha produção de vestimentas - e acredito que de muitos outros profissionais da área com modos de atuação parecidos -  sempre esteve estritamente conectada ao meu repertório de vida e cultura.

O Ocupação Moda Cultural, na minha opinião, foi um marco, um divisor de águas na cidade do Recife no que diz respeito a cultura de moda pensada, produzida e vendida por aqui. Foi um evento que fez jus ao nosso potencial: investiu dinheiro público na estruturação e ambientação de um espaço que dialogou estetica e reflexivamente com o nosso trabalho e o apresentou a um público amplo e diverso!

A minha sensação no dia em que fui deixar as peças da Alinhada era de entusiasmo e comoção: tanto pela beleza e excelente organização proposta pelo evento, quanto pela possibilidade de, finalmente, ter alguma perspectiva financeira que valesse a pena num evento de moda fora do "mainstream mercadológico".

Também achei providencial os desfiles do Rec Beat serem deslocados para lá, pois trouxe
mais dignidade e impacto ao que se é apresentado dentro de desfiles de moda não convencionais- que agora foram realizados num contexto, especialmente, moldado para "enriquecer o olhar" em relação as propostas estéticas expostas.

Eu ainda não sei quais são as perspectivas de continuidade, multiplicação e/ou a permanência de um espaço para a moda cultural neste formato aqui em Recife - que repercutiu tão positivamente em "nomes e números", mas espero que a Prefeitura (principal apoiador) como também o governo tenham sentido o impacto e a importância de considerar esse tipo de "moda criativamente autônoma" feita aqui como uma expressão e linguagem cultural (cadê a nossa rúbrica nos editais de fomento?!!!) que também multiplica a pluralidade cultural do estado.