quarta-feira, 19 de junho de 2013

"Mas as pessoas da sala de jantar..."

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 (parênteses) 
.. mais de um ano depois eu volto a ter vontade de postar aqui no blog... engraçado que um dos meus últimos textos do ano passado foi sobre o OcupeEstelita em Recife... os movimentos parecem "me mobilizar" pra fazer exercer essa atividade da escrita que tanto amo e pouco me permito exercer no dia a dia...

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Eu não ando de ônibus, tenho Iphone, sou classe-média nascida em família burguesa (no estilo de vida e nas visões políticas), ainda assim nunca tive uma vida fácil, pois essa condição familiar só me deu garantias de ir e vir, morar, estudar e viver com dignidade dentro de uma redoma e não inspiração para pensar coletivo, me posicionar e me indignar criticamente...



Eu nunca me senti à vontade com a alienação política dos meus entes queridos e escolhi caminhos de vida que sempre me colocaram na condição de desgarrada, "hippie", "idealista" e/ou "perdida" diante deles porque não conseguia ser uma pessoa conformada com a tranquilidade que uma vida de princesinha burguesa poderia ter me oferecido! E foram exatamente "os anti percursos oficiais" da minha "rebeldia" que me conectaram com a vida real, com aventuras e "gente maluca", trazendo um mundo em sua essência e sentido para além das prometidas "Captalândias" ...



Eu também entendi desde cedo (nasci em 1980) que vivíamos num país contraditório que não mais nos conectava com causas coletivas e nem nos permitia escolher caminhos diversos... ou se era pobre de nascença e se andava ônibus e/ou a pé, ou se andava de carro - de preferência de vidros fechados, caso fosse em alguma capital perigosa! Cresci com um espírito insatisfeito e questionador, porque sentia (e sinto!) que vivemos num país contraditório que não nos permite ir e vir com tranquilidade, não nos autoriza a "falar com estranhos na rua", não é possível escolher caminhos diversos...



Eu sempre quis o caminho do meio, sem dicotomias, "sem partidos"...



Até hoje eu não havia encontrado um eco tão grande de insatisfação coletiva com o qual pudesse me identificar e estou emocionada com essa "corrente contaminadora de lucidez" - vulgo #acordaBrasil - que está unindo a todos nós num "consciente coletivo" para protestar, chamar atenção e exigir transformações políticas e humanas no existir em sua amplitude!



O fato de eu não precisar do bolsa família, não sentir literalmente (porque vem de outras vias!) no meu bolso os 0,20 centavos a mais da tarifa do ônibus, não ter um emprego opressor e/ou ser homossexual assumida, por exemplo, não anula o meu espírito insatisfeito, questionador e a minha capacidade de real indignação

com os rumos das condições de vida (na sua amplitude) no nosso país!



É claro que tenho os meus pequenos luxos como andar de carro (a duras penas, é claro, já que é preciso gastar bem mais do que se ganha com os preços altíssimos mesmo de um modelo popular, seguro, IPVA e reparos devido as "vias de bosta que a gente se afunda"!)...  também já viajei mais de 1 vez para fora do país, vez ou outra como em restaurante bom, gosto de comida e roupa boa, curto cinema, shows, algumas festas bacanas... Mas a que custo a gente consegue ter acesso a isso tudo hoje no nosso país mesmo sendo de classe média e, por exemplo, trabalhando com cultura como eu e meu marido?!



Eu sempre tive que ser trabalhadora e batalhadora desde cedo para poder ir e vir e ter o estilo de vida que eu gostaria e não o que me era imposto e alienado -"o que custa e tem me custado literalmente caro" de todas as perspectivas: familiares, emocionais, pessoais, financeiras, "metafísicas"...  Imagina quem nem tem uma formação educacional, saúde e transporte de qualidade devidamente garantidos para - sequer! - desenvolver um pensamento crítico e saber em que bandeira política "não votar" ?!!!



Eu sempre quis viver em uma cidade brasileira na qual eu só precisasse andar de carro por opção e não por imposição da má qualidade dos serviços de transporte e segurança pública oferecida... Gostaria de me locomover de metrô, mas só morei em capitais do nordeste (João Pessoa, Salvador e Recife) onde essa possibilidade é sempre remota seja porque não existe ou porque as linhas não contemplam os bairros que "não são tão pobres", como no Recife! Em Salvador, por exemplo, eu morei por mais de 20 anos e desde que me entendi por gente escutava falar de uma obra do metrô que mal foi começada teve desvio de verba e estacionou até hoje! Em João Pessoa, onde hoje estou - e sempre estive, mesmo que morando em outro lugar - há 10 anos atrás, se quiséssemos, dava para voltar para casa andando da Feirinha de Tambaú (reduto alternativo de gente da cultura), mas a violência está se desenvolvendo bem mais rápido do que a própria cidade, as políticas de cultura e o alcance das linhas de transporte público... dia desses uma amiga foi atender celular na esquina de casa e foi surrupiada por um bandido de revólver e de moto, claro, porque pelas bandas de onde ela mora ou "o caba" aproveita o incentivo do governo baixando impostos que incentiva a compra "dos motorizados" ou não tem "Armaria Mainha" que faça ele chegar de ônibus a tempo e com a eficiência de sempre pra roubar (ela me contou que já rolou isso várias vezes na mesma esquina)!



Enfim, eu poderia continuar relatando tantos outros causos e escrevendo mais sobre os meus sentimentos aqui, mas uma hora as palavras precisam de um ponto ou, no mínimo, reticências, assim como vai acontecer com essa onda de protestos... O que precisamos estar "atentos e fortes" é para que essa união coletiva não se dissipe e que toda essa efervescência não se sufoque dentro de uma panela de pressão - que, alegoricamente, sempre tem um pico de cozimento, mas naturalmente vai perdendo vapor para poder se beber o caldo... Que possamos por a mesa com "as pessoas da sala de jantar" responsáveis pelo "buffet azedado" que está o nosso Brasil.

frame do filme "O Discreto Charme da Burguesia, de Luis Buñuel

segunda-feira, 14 de maio de 2012

"Gestantes do Mundo"...


... confesso que só me inspirei em postar uma foto especial de dia das mães de ontem (12/05/12) do meu filhote Joaquim depois de ver a de tantas mamães queridas e suas crias pelo facebook e internet...

Joaquim me deu chão, prumo e um sentido maior neste mundo cão! 

... kilômetros de palavras ainda não conseguem contextualizar o amor incondicional que sinto por essa pequena criatura que "foi gestada" no meu caminho de vida e mudou drasticamente os rumos dele!

Mas, confesso que sou um pouco resistente à imersão do arrebatamento coletivo destas datas comemorativas... Pois, mesmo entendendo que os rituais e registros festivos são sempre importantes para nos lembrar e/ou reforçar sentimentos e conceitos  (o que curto!), o dia das mães como o natal e outras datas do tipo termina sendo mais importante pro comércio do que, de fato, significativo para o reconhecimento deste papel e trabalho tão importante na formação da humanidade no seu sentido amplo!

... ser mãe nesta contemporaneidade é ainda mais desafiador do que em outros tempos por vários aspectos, mas principalmente por mantermos todas as "obrigações femininas" dos tempos de machismo arcaico somada a necessidade de nos realizarmos profissionalmente e financeiramente tanto quanto os homens... olha, acho que devíamos ganhar um salário do governo de pelo menos 1 ano para nos dedicarmos mais e melhor às nossas crias que, naturalmente, depois que vão pro mundo para "gestar" ele...

Ou seja, as mães também precisam ser gestadas e acolhidas para desempenhar tamanha e tão comprometedora tarefa: povoar o mundo com seres que ajudem a gestar um mundo melhor!


quarta-feira, 18 de abril de 2012

"Afago de Thoreau"!


... juro por meu filho que quando escrevi este texto do post anterior eu ainda nem tinha acompanhado de perto os textos contrários e todas "as demais polêmicas" quanto ao #OcupeEstelita... escrevi aqui num surto de esperança e devido a participação presencial num movimento e causa coletiva que inundou meu coração... 

mas, estou com as idéias pertubadas ao saber e ler argumentos (até de queridos q eu achava compactuar "morais afins"!) tão tristemente embasados em uma "lógica progressista do individualismo capitalista"! :/

para "afagar poeticamente" o juízo fui dar uma lida ontem em "Walden, de H.D Thoreau" e me deparei (coincidentemente ao momento?) com o seguinte trecho:

"Da caverna passamos para os tetos de folhas de palmeira, de casca e galhos, de pano estendido, de palha e capim, de tábuas e taubilhas, de pedras e telhas. No final, não sabemos o que é viver ao ar livre, a nossa vida é mais doméstica do que pensamos. Da lareira ao campo há uma grande distância. Seria bom, talvez, que passássemos mais dias e mais noites sem qualquer obstáculo entre nós e os corpos celestes, que o poeta não falasse tanto sob um teto, ou o santo não parasse ali por tanto tempo. Aves não cantam em cavernas, pombas não alimentam sua inocência em pombais."


fui dormir um pouco menos triste e alimentada de uma esperança que, infelizmente, parece deslocada deste "novo modelo de mundo"! 

(parênteses)

... pesquisando à toa imagens sobre o autor e este lago que dá título ao livro, achei esta linda obra de um artista que eu ainda nem conhecia:




 > http://www.saatchi-gallery.co.uk/artists/artpages/gerhard_Walden.htm

segunda-feira, 16 de abril de 2012

... "a arte do movimento"

#OcupaEstelita
Neste exato momento, minha ocupação devia ser a leitura, a pesquisa e a escrita dos projetos que estão pagando as minhas contas e, felizmente, alimentando parte da minha alma. Mas, não consigo me ocupar de algo que não seja pensar e navegar pela repercussão do #OcupeEstelita na internet e em mim...

Eu li a pouco um excelente (e de bastante propriedade) texto da arquiteta e querida Marília Cireno (já com quase 90 compartilhamentos no facebook!), compartilhei um vídeo do cineasta e também querido Cláudio Assis invadindo a Rio+20 e entregando uma carta do movimento ao governador Eduardo Campos, já visualizei fotos bacanas que sintetizam parte do ato em si, acabei de baixar as poucas que eu mesma tirei ao mesmo tempo em que cuidava do meu amado filhote...

Joaquim (é o nome dele) estava ontem ali no Cais Estelita "tão desavisado", só querendo esvaziar - como sempre!- a enorme carga de energia diária que ele tem e, assumidamente e literalmente, eu e o pai estávamos unindo o "útil ao agradável": 
cumprindo as nossas amorosas funções de pais e marcando presença num raro e importante momento (não só movimento!) de sociabilidade em função de algo que não fosse apenas a necessidade - cada vez mais individualizada - que todos nós temos de dialogar, espairecer e/ou extravasar em espaços públicos que, na real, são quase sempre privados. 

Botecos, bares, restaurantes, festinhas, casas de amigos... É quase uma necessidade básica, uma causa séria de sanidade mental este aspecto da interação humana. No entanto, numa cidade violenta, caótica e, por vezes, hostil como o Recife, faltam verdadeiros espaços de congregação pública, assim como um sentimento e disposição acolhedora para interagir com "o vizinho desconhecido que ainda não sabemos de que panela faz parte"!

Falo isso tudo como um preâmbulo fundamental - e quem porventura tiver disposição para ler pode estar pensando: o que tem a ver lé com cré? - nesta questão de estarmos reivindicando um outro tipo de ocupação para o Cais Estelita... nós não só estamos com medo de vermos as zonas de proteção social dilaceradas, de encararmos diante de nós  uma "Nova Dubai", de perdemos uma saudável referência urbana e cultural da cidade do Recife, mas acredito também que de continuarmos nos contaminando com a paranóia que a impessoalidade e competitividade de estruturas arquitetônicas desta "não-natureza" nos traz se camuflando num sistema capitalista que só progride é em "valores concretos"!

Aos críticos desse "encontro" tão bonito e consciente que foi o #OcupaEstelita de ontem (15.04.12), àqueles que o rotulam elitista, burguês, tardio, ou talvez ainda enfraquecido política e financeiramente (como eu confesso ainda sentir!), qual seria a sugestão?
Não ocupar? "Não se ocupar? Não se movimentar e não aproveitar a ocasião para se "desarmar" e se sensibilizar com a singularidade de encontrar amigos, queridos, conhecidos e/ou desconhecidos que compactuam da mesma indignação social, política e econômica que você? 

Mesmo que tenhamos boas câmeras, iphones e camisas Henrig's para aplicar o estencil com "a arte do movimento", que mal existe nisso gente?! Uma coisa não nega a outra! Confesso que também tenho desejos de consumo, mas eles não me fazem perder a essência de uma das coisas que mais desejo na vida: um mundo com mais amor, menos concreto e "sinceros encontros de toda a natureza em espaços públicos mesmo que não mais tão verdes"!

Que o meu filho Joaquim possa se orgulhar daqui a uns anos de ter feito pic nic e umas pinturinhas num Cais Estelita que - com fé também em Deus (à quem também recorro quando tenho enfrentamentos com "forcas poderosas e ocultas!") - vai estar "ainda mais humanamente ocupado"!



(parênteses)

>link do texto de Marília Cireno
http://www.facebook.com/notes/atelier-seis/ocupa-ou-desocupa-o-%C3%BAltimo-suspiro-do-cais-jos%C3%A9-estelita/293229907418622

>link do vídeo de Craudão
http://youtu.be/QltfsKEnICg

>link do flickr do grupo Direitos Urbanos http://www.flickr.com/photos/direitosurbanos/sets/72157629462741968/  

>link de um vídeo do Vurto
 http://vimeo.com/40442387

>link de outro texto que achei bacana
http://www.horoscopo.blogspot.com.br/2012/04/naoescrevasemsaber.html

"... meditando nas causas, não só nos efeitos!"


quarta-feira, 21 de março de 2012

Práticas Diárias


Mais um dos lindos e simbólicos desenhos de minha querida Iansã Negrão- q pratica, divinamente, o ato de desenhar... 





 


hj, depois de alguns meses, fui pra minha aula de Yôga de manhã cedo - às 7h - e não à tarde (17h)... acordei 6h, dei um beijo no meu filho e marido, um bom dia pra funcionária, me enchi de coragem pra superar os "sempre insistentes resquícios de sono" e fui andando já para aquecer o corpo...

durante o caminho, fui me enchendo de energia e "prana" com o sol e a beleza da manhã... percebendo o movimento do despertar do meu bairro, das pessoas que vagam ou se apressam no meio da rua para chegar no trabalho e/ou em lugar nenhum! 

encontrei Mércia, a atendente da quitanda "Mangaio"a caminho de lá- aonde faço minha feira orgânica todas as quartas-feiras e sou chamada pelo nome ao entrar, coisa que para mim pagam os reaiszinhos extras dos seus preços. dei um tchauzinho e me senti muito grata pela sensação acolhedora de "reconhecimento da vizinhança"!

agradeci aos Deuses pela minha disposição física e o meu bom humor, que não me impediram de despertar e começar o dia com tanta positividade, deixando de lado as mazelas emocionais e tantas demandas pragmáticas diárias que por vezes tiram a poesia de se dedicar a pequenas e tão grandiosas atividades como essas descritas...

me contorci de contentamento ao chegar no Yôga e praticar.
respirei com muita vontade de superar todas as limitações, nódulos, dores e cegueiras - quase sempre construídas pela minha própria mente e ditadas pelas minhas priorizações na dinâmica de vida-
que "o meu ser" acumula todos os dias, a 31 anos...

pensei:

-como é importante ter cada vez mais atenção, dedicação, precisão e sutileza em todos os movimentos diários e repetitivos para que o corpo entre em harmonia com a mente e vice-versa...

pensei de novo, o óbvio:

- uma evolução pessoal e de felicidade nas nossas "paisagens de vida" só são adquiridas com a prática diária não só do Yôga, mas de tudo, inclusive dos bons pensamentos!


segunda-feira, 19 de março de 2012

"moda criativamente autônoma"...


Segue abaixo e na íntegra o meu feed back e depoimento de participação no evento "Ocupação Moda Cultural" que ocorreu este ano na cidade do Recife de 04 a 17 de Fevereiro e, para mim, foi emblemático para a área de uma maneira geral...

O meu nome é Caroline Monteiro Jacintho de Oliveira - já assinei também como Carol Monteiro, mas depois de algumas confusões entre eu e a outra Carol, que é hoje a gerente de moda da Prefeitura do Recife, resolvi assinar Oliveira.

Eu nasci em João Pessoa, morei anos em Salvador e em 2004 cheguei ao Recife para trabalhar na Luni Produções.

Desde então, sempre estive conectada com a área cultural da cidade. Na moda, eu comecei a atuar, efetivamente, em 2005 com uma marca de roupas então chamada de espelho meu. A minha sócia nessa marca (Camila Ferza) e eu chegamos a fazer 2 coleções oficiais entre "inter-coleções" paralelas, além de alguns eventos culturais de moda. Nós vendíamos, oficialmente, na Moda Nacional e Bendito Fruto (esta última de Carol Monteiro)- ambas localizadas no
Paço Alfândega, mas vivíamos divulgando, prospectando e correndo atrás de clientes de maneira bem pessoal para tentar sustentar "o sonho" de viver da criação, produção e venda de peças de roupas exclusivas e "não standartizadas"... 

No entanto, em determinado momento começaram a surgir "os nós e os contras": falta e muita dificuldade com a mão de obra terceirizada das poucas modelistas e boas costureias que existem na cidade e não estão empregadas em "fábricas de linha de montagem de reprodução da moda midiatizada"; nenhum apoio institucional ou financeiro para que pudéssemos levantar um capital de giro na produção de nossas pequenas e personalizadas "coleções de moda mais culturais do que comerciais";
dificuldade de fazer as nossas criações "ganharem o mundo e o corpo das pessoas", uma vez que o nosso produto encarecia demasiadamente ao entrar nas lojas voltadas pro mercado comum; nenhum evento cultural, de fato, produzido pelo governo e/ou prefeitura que tivesse a proposta de mostrar o que boa parte dos criadores locais andavam fazendo... enfim, muitos contras e quase nada a nosso favor ou que nos desse suporte para que continuássemos nos expressando culturalmente pela criação de vestimentas, produção de moda e figurino e ao mesmo tempo pudéssemos honrar nossos compromissos financeiros.

Camila Ferza desencanou da área de estilismo e foi trabalhar com produção de desfiles e cia. Hoje vive no Rio de Janeiro e morre de vontade de voltar para a sua terra. Eu ainda me determinei por volta de 2006 com uma nova marca chamada Alinhada. No entanto, depois de 3 coleções e 1 gravidez, percebi que precisava ampliar meus interesses profissionais e reconfigurar a amplitude de atividades da marca se não quisesse, literalmente, "ficar over" nas minhas finanças!

Enfim, como esse relato é sobre o Ocupação Moda Cultural e eu não posso me estender muito, com receio de não ser lida e/ou soar pessoal por demais, vou deixar as entrelinhas da minha trajetória para outro momento. Mas, não sem reforçar antes o quanto também é importante dar o meu "depoimento e feed back personalizado", uma vez que a minha produção de vestimentas - e acredito que de muitos outros profissionais da área com modos de atuação parecidos -  sempre esteve estritamente conectada ao meu repertório de vida e cultura.

O Ocupação Moda Cultural, na minha opinião, foi um marco, um divisor de águas na cidade do Recife no que diz respeito a cultura de moda pensada, produzida e vendida por aqui. Foi um evento que fez jus ao nosso potencial: investiu dinheiro público na estruturação e ambientação de um espaço que dialogou estetica e reflexivamente com o nosso trabalho e o apresentou a um público amplo e diverso!

A minha sensação no dia em que fui deixar as peças da Alinhada era de entusiasmo e comoção: tanto pela beleza e excelente organização proposta pelo evento, quanto pela possibilidade de, finalmente, ter alguma perspectiva financeira que valesse a pena num evento de moda fora do "mainstream mercadológico".

Também achei providencial os desfiles do Rec Beat serem deslocados para lá, pois trouxe
mais dignidade e impacto ao que se é apresentado dentro de desfiles de moda não convencionais- que agora foram realizados num contexto, especialmente, moldado para "enriquecer o olhar" em relação as propostas estéticas expostas.

Eu ainda não sei quais são as perspectivas de continuidade, multiplicação e/ou a permanência de um espaço para a moda cultural neste formato aqui em Recife - que repercutiu tão positivamente em "nomes e números", mas espero que a Prefeitura (principal apoiador) como também o governo tenham sentido o impacto e a importância de considerar esse tipo de "moda criativamente autônoma" feita aqui como uma expressão e linguagem cultural (cadê a nossa rúbrica nos editais de fomento?!!!) que também multiplica a pluralidade cultural do estado.


 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A Palavra Certa



Atravesso a noite com um verso
Que não se resolve
Na outra mão as flores como se
Flores bastassem
Eu espero...
E espero...

Não funcionam luzes, telefones
Nada se resolve
Trens parados, carros enguiçados
Aviões no pátio esperam
E esperam

A chave que abre o céu

Da onde caem as palavras

A palavra certa
Que faça o mundo andar

Não funcionam luzes, telefones
Nada se resolve
Trens parados, carros enguiçados
Aviões no pátio esperam

E esperam

A chave que abre o céu
Da onde caem as palavras
A palavra certa
Que faça tudo andar
(Hebert Viana)

Por um acaso, eu me deparei com essa canção em pesquisas que estou fazendo ao longo da semana... tenho me esforçado não só para escrever, mas para canalizar uma série de idéias em paralelo a tantas demandas e sensacões da vida pessoal que, ao contrário "das palavras" certas, caem do céu e nas costas a todo instante!

Ao mesmo tempo que o conteúdo desta letra de música não se conecta diretamente com os temas dos trabalhos que precisam ser pensados e pragmatizados, ela traz uma metáfora sutil para a vida de uma free la e sentimental como eu- que tenta não só trilhar um caminho minimamente digno, atento e estável com os projetos culturais, mas na relação com todos os seres humanos com os quais me deparo nas minhas jornadas...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Estréias e idéias tardias, mas sempre providenciais e bem vindas!

noitedeestreia.blogspot.com/

João Pessoa é a minha cidade natal e, como tal, conheço todas as suas qualidades e dilemas de longas datas...

A cidade cresceu, se desenvolveu e melhorou um bocado na sua vida cultural e noturna ao longo dos últimos 10 anos. Mas, se tem uma coisa que ainda é um calo local- principalmente pros cineastas, cinéfilos ou apenas o público que gosta de assistir filmes diferenciados e autorais- é a falta de um centro cultural que tenha uma sala de cinema bem equipada e bem programada!

Infelizmente, os complexos de cinema dos três maiores shoppings centers da cidade só abarcam uma programação como a desta mostra se houver "o olhar e o dedo" das turmas que pensam e, verdadeiramente, amam a arte de fazer e ver filmes- não só de ganhar dinheiro com platéia e pipocas!

Então divulgo aqui, merecidamente, a iniciativa dos comparsas (da qual também fiz parte, mas só não arregacei as mangas in loco por questões pessoais) e faço um apelo para que levemos adiante o projeto do nosso desejado festival de cinema com uma foco em curadoria, crítica e cinefilia... além das nossas divertidas e despretensiosas festas, é claro. Pois, afinal, João Pessoa é a cidade onde o sol nasce primeiro e vai ficar sempre recebendo os filmes bacanas por último?! ;)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

"OcupAções... minhas e outras!"

... a vontade de escrever é diária, compulsiva, mas também a concentração pra tal depende das demandas prioritárias do dia a dia que- além das necessidades básicas- são transitórias, impermanentes... assim como a vida!

Este compromisso de atualização formal para que eu seja lida me dá pânico e se conecta com essa neurose da conectividade exarcebada, gratuita e superficial que existe em todas as mídias eletrônicas agora... Eu só poderia me dedicar a profundidade e constância dos "meus ditos escritos" aqui se isto fosse um trabalho que eu ganhasse por tal e, dessa forma, garantisse parte de minhas contas!

Mas, para não entrar na "invisibilidade arcaica", eu tenho me conectado - de maneira "quase que forçosamente instintiva com a onda dos novos tempos"- mais ao facebook e twitter.

Quase sempre, quando tenho algo de fato a dizer, eu preciso de tempo, de bastante tempo e isso é artigo raro para uma mãe dedicada e profissional free lancer como eu :(

Bem, passada a minha já "clássica ladainha nariz de cera", vamos aos fatos...

Três meses se passaram desde a última vez que estive por aqui e não sei, nem prometo mais, qual a próxima que volto... Tanta coisa aconteceu na minha vida pessoal e profissional desde então: meu pai que eu não via a 13 anos voltou dos EUA muito doente e isso "abalou" as minhas estruturas; eu aprovei um projeto de moda e artes visuais no edital Funcultura de 2011 (Governo de PE); fui escanteada e desgostada injustamentee em produtora de audiovisual do Recife e isso me deixa cada vez mais desgostosa por lá; construí uma morada provisória na casa dos meus avós maternos (meus segundos e reais pais- que já estão com mais de 80 anos e eu não sei quanto tempo de convivência ainda terei com eles!) em João Pessoa desde o mês de Novembro; passei um super ano novo em Baía Formosa (RN) ao lado de bons e queridíssimos amigos de JP; fui sacaneada por um filho da puta que bateu atrás do meu carro e como ele não tinha seguro, eu ainda acionei o meu pra cobrir o dele, fiz um acordo financeiro e ingênuo com gente estúpida que desapareceu depois que teve o seu problema resolvido; acabei de fazer um figurino de um dos filmes do projeto e cooperativa de cinema aqui de JP que eu adoro, a "Filmes a Granel"; encontrei uma boa parceira de trabalho em uma querida de longas datas (Ju Dias) também aqui de JP; farrei pra valer e tive ressakas como nunca mais; fui ao casamento- que eu previ a 4 anos atrás- de uma das minhas melhores amigas de JP com um querido de Madrid (Fidel); curti "pacas" o Baile do Cafuçu na Boate da Caixa também aqui em JP; encontrei novos amigos (se isso ainda era possível) e cada vez mais as possíveis parcerias de trabalho se fomentam, mas... agora é hora de voltar pro Recife e executar tudo o que eu preciso para fechar, da melhor maneira possível, os ciclos que ainda tenho que empreender na cidade: projeto aprovado e algum outro a aprovar; monografia e"possível livro de figurino em parceria" com Bárbara Gollner e uma vida pessoal para continuar edificando num contexto urbano e geográfico que não te alisa quase nunca!

(Parênteses)

Bem, como estou escrevendo acima um relato topificado e relativamente de relance, não vou expor mais entrelinhas... Talvez seja melhor finalizar este post com uma informação aparentemente despropositada do restante, assim como é a absurdez do carnaval- que por falar nele, é jájá, sim?!

Pois então, estou expondo simples e novas peças da Alinhada, assim como algumas preciosidades ou barganhas do meu acervinho no Ocupação Moda Cultural que está rolando em Recife no Paço Alfândega todos os dias até o 17/02 das 12h as 22h. Confesso que este evento me deu um sopro de brisa leve e suave de alegria para voltar a minha "real life" lá... quando visitei o lugar da ocupação, me dei conta que estão surgindo "possibilidades de união e lugar ao sol" para os criadores alternativos e personalidades (não só artistas consagrados!) locais que não foram representados, por exemplo, na última edição da revista FFWMag- que é temática de toda a expressividade cultural do estado e diz no editorial que "Podemos afirmar com orgulho que dissecamos Pernambuco."... vejam só, será mesmo?! :/
(http://ffw.com.br/hotsites/mag/)

A revista, como sempre, é visualmente linda, traz ótimos conceitos, textos e fotos, mas me deixou um pouco passada com "a mesmice da padronização do que é bom gosto numa outra localidade que não Rio, São Paulo, BH e sul do Brasil (mas que terminou fazendo mais um editorial a cara destes!) e do que é bom no vestir, no modos e na moda"... Caramba, tanta gente estilosa e expressiva já de cara na capital recifense (imagina pelo resto do estado!), mesmo que não produzindo, mas se fazendo notar pelo jeito de ser e falar, usando nossas humildes e trabalhosas peças feitas e acompanhadas em todas as etapas por um corre corre suado para comprar tecidos, pensar em propostas e terceirizar costureiras... Enfim, eu tinha pensado em escrever um texto só sobre essa "falta de rua e cidade real" que senti na revista e talvez o faça, mas o meu ritmo mental e inconstante não quer deixar agora, e mais uma vez, muito pra depois ou pra um simples twitt o que me inquieta para ser dialogado e refletido (não desmerecido, que fique claro!)...

Bem, abaixo segue o flyer de um evento super emblemático e especial que está representando neste pré-carnaval algumas humildes -"pero non sem identidade"!- expressões de modos e modas do Recife com produtos dos e para os"alternativos-culturais-que-não compram ou não podem comprar sempre-na-DonaSanta"!

Até o dia 17/02 das 12h as 22h no Paço Alfândega em Recife




sexta-feira, 14 de outubro de 2011

"seres de Alice"

   Na sexta passada eu fui ao Animage_III Festival Internacional de Animação de Pernambuco- que está tomando uma proporção cada vez mais importante na área, depois da excelente curadoria de Nara Normande- para assistir ao filme Alice do techo Jan Svankmajer...                   Como eu já havia visto- antes deste Festival e sem nenhuma informação prévia- um curta dele que me causou um sentimento dúbio de repulsa e atração imediata por conta da grande "densidade-barroca-surrealista", eu fiquei inquieta com a possibilidade de ver uma releitura sua de Alice no País das Maravilhas! Sei que já é uma obra universal super conhecida, lida, estudada, resignificada, "quase batida", mas foi exatamente isso que mais me motivou: ter acesso a mais um olhar de algo que achamos que já conhecemos tão bem, mas que a emoção, criatividade e profundezas humanas ainda pode nos guardar surpresas e despertar novos estímulos... 
   Achei o filme, simplesmente, genial! Muito pela sua técnica (o cara anima bicho morto, boneca, qualquer coisa, enfim!) e, ainda mais, pela autenticidade de guiar meu olhar para um mundo de possibilidades e novas camadas interpretativas da obra de Lewis Carrol. Para mim e minha amiga Letícia que me acompanhava, este foi o melhor filme "sobre Alice" que tivemos oportunidade de assitir até então!   
   Fiquei com o filme reverberando na minha cabeça e concluindo várias vezes a mesma obviedade: como somos prepotentes ao achar que  e enxergamos a totalidade e profundezas de um ser... "seja eu, seja filme, seja o que for"!

(Parênteses)
Fica aqui o link do trailer- que também adorei!- e o link de um site dele que aparece no google:

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

"Mudança Real"


  Eu prometi às minhas amigas Silvana e Aninha- moradoras soteropolitanas- que não mais começaria um post me queixando do tempo que faz que não escrevo aqui, as demandas do meu dia a dia que me afastam dos meus ideais de vida e etc... Bem, se eu falar mais, vou continuar com o prelúdio que vcs não querem amigas! hehe
  "A verdade é que nossos hábitos não passam de padrões de comportamento que o cérebro associa. Uma vez associados e compreendidos, alterá-los pode demandar um esforço da massa cinzenta. E, em anos de evolução, nossa mente foi treinada para evitar qualquer esforço que pareça desnecessário"! (Rafael Tonon- Vida Simples Outubro 2011) 
  Mas, juro à vocês minhas queridas: todos os dias eu acordo, contorno inúmeras ansiedades para entender quais sãos as principais e reais demandas daquele dia- além de comer e cumprir compromissos de rua imediatos- e vou dormir pensando em todo o esforço que não consigo empreender nas minhas revoluções pessoais e em todo o tempo que termino perdendo na resistência (inconsciente até!) em quebrar os velhos padrões que me desorganizam emocionalmente e reforçam a sensação de sofrimento da impermanência inevitável da vida!
  Pois é... esta divagação aqui poderia render um reflexivo e extenso texto, mas eu já havia prometido não me extender, porque tenho  trabalho e prospecção de novos para dar conta- além de outros afazeres comigo, casa e filho-, mas como "o prazo não é pra amanhã", a emoção sempre ganha quando não há "a pressão da razão'!
  "E nossa mente está mais plenamente convencida dos ganhos a curto prazo do que das perdas que podem vir a perder de vista. E aí entra um embate essencial entre a nossa razão e a nossa emoção."(Rafael Tonon- Vida Simples Outubro 2011) 
  Pois é minhas amigas(os)... a gente arranja justificativa pra tudo, inclusive ficamos usamos as mesmas pra nós mesmos em contextos e tempos diferentes das nossas vidas! :/ O equilíbrio interior é um eterno desafio e ele reflete, inevitavelmente, na nossa construção de mundo - por mais que muitas vezes pareça que só o mundo é cruel!
  Vou recorrer mais uma vez a matéria de capa da Vida Simples deste mês- que parece ter sido meu presente de aniversário, uma vez que eu ando estudando seriamente o fator "mudanças" na minha vida...
  "A chave está em envolver seus sentimentos na mudança que quer operar. É preciso encontrar formas de motivação. O primeiro passo talvez seja pensar arduamente sobre aquilo que quer mudar- e qual o seu plano para isso."
  Este post aqui de hoje é apenas mais uma retomada e mais um plano de continuar escrevendo e entendendo o que me interessa, só que agora dentro de um contexto literal de mudança: eu, meu marido e filho estamos em uma nova morada que custamos muito a encontrar dentro da brusca e ridícula especulação imobiliária que "mudou" o padrão de acesso à moradia aqui no Recife!   
  Bem, resta eu provar pra vocês e pra mim mesmo qual o nível real da minha determinação "em me habitar com uma mudança real"- principalmente, agora que já galgo a casa dos 31, rumo aos 40 e ainda não consigo ser muito específica nem nas minhas metas de comemoração deste próximo aniversário, quanto mais das reais mudanças que desejo na minha vida pessoal e profissional...   
  Mas, continuo em busca das minhas motivações e objetivos instrínsecos de mudança, tentando separar e identificar o que é cobrança social e o que é necessariamente real para se ter e/ou ter que mudar! 
(Parênteses)
É claro que eu não posso deixar de sugerir que vocês leiam a matéria de cada da Vida Simples- "Por que é tão difícil mudar?". Aliás, como sempre, a revista sempre traz textos interessantes de jornalistas sensíveis e competentes.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

" 'Pazes' conosco e com o mundo"_NORDESTE SEDIA UM DOS MAIORES EVENTOS BUDISTAS DO PAÍS


Quando o Lama Padma Samten afirma em um dos seus livros que "o budismo é experimental, não há nada para acreditar, é preciso testar" é uma grande máxima que tenho experimentado de verdade na minha vida terrena... É claro que a minha busca por ensinamentos espiritualistas também procura, de alguma forma, um pouco de suspensão do dia a dia e da vida prática. Mas, a minha humilde iniciação nestes ensinamentos milenares me deixam pouco a pouco mais certa de que a única maneira de encontrarmos paz interior e lampejos de iluminação é vivendo e encarando com lucidez os desafios das nossas vidas diárias e mundanas... O buda primordial, o Buda Sakiamuni, passou 6 anos isolado e meditando na floresta, com todas as privações ditas humanas, mas só se iluminou mesmo quando restituiu sua saúde corporal e foi pro mundo!
Engraçado estar postando essa mensagem aqui logo após o texto que escrevi mencionando o processo de envelhecimento dos nossos corpos... Mas, é a minha gradativa apreensão dos objetivos e ensinamentos budistas que tem me permitido harmonizar a paz que eu procuro dentro de mim, da minha vida espiritual e "real"- mas, isso tudo não poderia ser a mesma coisa? Afinal, somos todos um?

Pois bem, não vou me estender porque há muita informação abaixo sobre eventos importantíssimos na busca por uma série de "pazes" conosco e com o mundo...

NORDESTE SEDIA UM DOS MAIORES EVENTOS BUDISTAS DO PAÍS  

Um dos principais mestres budistas da contemporaneidade, Sua Santidade Sakya Trizin, visitará o Brasil pela primeira vez e o Nordeste será um dos locais de maior destaque na sua programação.
Entre os dias 25 e 26 de julho, ele estará em Recife, visitará a comunidade do Coque e logo depois em Timbaúba, oferecendo ensinamentos e iniciações. De forma paralela, serão realizados o Fórum de Culturas pela Paz: Superar a Violência, o I Encontro Internacional de Culturas pela Paz, no Coque, em Recife e o II Encontro de Mente, Educação e Cultura, com o tema “A contribuição do budismo na ação social”. A última atividade, o evento Nascido no Tibet, será realizado no Teatro Guararapes, no Centro de Convenções de Olinda, a um preço simbólico: R$ 10,00. Na ocasião, será realizada uma conferência com jornalistas e uma benção especial.
Figura de grande importância no budismo tibetano, Sua Santidade tem se dedicado a disseminar ideais de compaixão e uma abordagem de cultura de paz, que seria uma possibilidade de conectarmos nossas vidas, seja nos aspectos sociais ou pessoais, a uma concepção de mundo na qual a violência perde o sentido.
Veja a seguir mais detalhes sobre cada dia da programação.

Fórum de Culturas pela Paz: Superar a Violência
O fórum ocorrerá no dia 23 de julho, com o objetivo de partilhar e questionar experiências ligadas à superação da violência e afirmação da paz. Entre os temas, estão os movimentos sociais, a justiça ambiental e a escolarização.

I Encontro Internacional de Culturas pela Paz
O encontro terá diálogos entre representantes cristãos e budistas sobre paz e espiritualidade, com foco na personalidade do falecido arcebispo de Olinda e Recife, fundador da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e figura central da ala progressista da Igreja Católica, Dom Hélder Câmara.

            II Encontro de Mente, Educação e Cultura, com o tema “A contribuição do budismo na ação social”. 
 Será realizado nos dias 24 e 25 de julho, com encontros que discutem as contribuições do budismo no campo social, com ações voltadas para promover uma cultura de paz. A influência dessa visão hoje é bastante estudada na Universidade Federal de Pernambuco, a partir do projeto Coque Vive. Em Timbaúba, teve início um trabalho de sensibilização no campo das plantas medicinais e fitoterapia, em parceria com a Prefeitura.

            Todos os encontros são gratuitos.

Horários, locais e todas as informações sobre a programação de Sua Santidade Sakya Trizin em Pernambuco estão disponíveis no blog http://sakyatrizinpe.blogspot.com/ - Mais informações com João Vale no (81) 9737-1415 ou no email joaovalesanga@gmail.com

 

terça-feira, 19 de julho de 2011

... colocando na balança: o peso dos 30!


A algum tempo eu ando pensando sobre a emblemática idade dos 30 anos na vida de uma mulher...   especialmente, a minha! 
Confesso que até o ano passado- aos 29- eu ainda sentia um pouco distante a possibilidade de começar a perder o meu "viço juvenil"... Mas, parece que o metabolismo feminino tem um pacto com a saída da casa dos 20, um tipo de acordo com “o coisa ruim” se a gente não começar a se comportar “mais diretinho”! hehehe

Para mim, foi algo meio que instantâneo de 1 ano para cá, já a caminho dos 31: percebi que meu metabolismo começou a desacelerar, a exigir mais exercícios e menos comida e uma série de “marcas meeega expressivas dos meus anos dourados” começaram a ficar salientes na minha pele- que já não reluz fácil como antes! 
Desde já, peço desculpas aos meus guias espirituais na terra e no céu, assim como aos meus instrutores de yôga, meditação, ensinamentos budistas e cia... Mas a aceitação resignada do envelhecimento do corpo físico é uma tarefa UÓO!
Não tem compaixão e desapego que me façam “contemplar” meus quilinhos a mais, a multiplicação dos meus furinhos de celulite e a diminuição das minhas felizes investidas gastronômicas! É fato: a atividade do nosso corpo é decrescente, por mais que nos esforcemos. No entanto, em paralelo, temos a graça do amadurecimento emocional (e espiritual para os que procuram mesmo!), assim como uma contemplação de vida menos superficial e mais lúcida. 
Certo, mas e aí? E aí que a vida nos fornece livre arbítrio até na medida do “embarangamento”... ou seja, na maneira de envelhecer e contemplar a decrepitude inevitável dos nossos corpos!
Também reconheço tristemente aqui que a minha suposta área de mais atuação profissional (dos últimos tempos! pois já atuei e também atuo em outras frentes...) seja uma das mais responsáveis pelo estímulo do fetichismo corporal contemporâneo voltado para a juventude eterna- que mesmo com tantas técnicas estéticas e avanços científicos, nunca vai existir! Segundo Pascale Navarri (em Moda e Inconsciente), “a melancolia da moda pode levar aquele ou aquela que só consegue investir em si mesmo, por meio da imagem visual do próprio corpo idealizado, jovem, perfeito e permanentemente (imagem que alimenta o visual-auto-sexy), a não poder separar-se dele.”.
É engraçado que a moda tendo como princípio básico de existência literal a sua efemeridade, não aceite a as transformações mais claras e “IN”evitáveis de nossas vidas: o nascimento, vida e morte do nosso corpo e dos seus aspectos vibrantes e juvenis. E complemento este raciocínio de novo com a ajuda da psiquiatra Navarri: “Essa configuração, parece, encontra-se cada vez com maior freqüência entre os obcecados pelo infantilismo corporal, os novos seres híbridos da moda: os velhos jovens que deixam apenas a seus jeans a possibilidade de parecer usados e envelhecidos.” 
Eu, por exemplo, não vejo nada demais na busca pela saúde, equilíbrio e beleza nas nossas vidas, mesmo que tenham um peso no direcionamento estético. Mas, acho problemático quando nos contaminamos e alienamos com ideais que só nos trazem mais paralisação de tempo, neuroses e angústias para a vida psíquica- que já é, naturalmente, tão perturbada, cheia de cobranças e questionamentos obscuros.
Não sei... eu sinto algo de muito equivocado nos tempos em que vivemos e talvez seja eu mesma tentando lutar contra esses tipos de envenenamentos mentais que, às vezes, chegam de formas tão sutis e naturalizadas quanto as medidas a mais na fita métrica!
Eu, depois do último brigadeiro degustado e até este momento, encontrei duas saídas... ou vou ser uma balzaquiana gordinha bem feliz e muito saudosista da minha juventude festiva, no entanto resignada e que não promove muitos esforços na manutenção da minha saúde corporal e mental. Ou, posso ser uma balzaquiana esforçada numa luta lúcida e pacífica contra todas as coisas ruins da gravidade e do tempo- incluindo aqui o peso dos orgulhos, das invejas, dos desejos-apegos, dos medos-raivas e das ignorâncias-obtusidades mentais. 

domingo, 3 de julho de 2011

"Cópia Fiel"

Eu ando bem desatualizada de tendências de moda... confesso! Também já disse outras vezes que o meu interesse pela área perpassa, cada vez mais, menos "pelas amenidades" do que está IN ou OUT!
Gente, "pelo amorrrr", essa discussão é ou não ultrapassada- fora a questão econômica de que é o mercado que nos disponibiliza ou não tais produtos? Bem, parece que não para a maioria das pessoas, porque os blogs imagéticos sobre moda e estilo, assim como seus seguidores, se proliferam na internet sem dó nem piedade e, muito menos, reflexão!

Eu sei que o espaço virtual não é muito indicado para quem quer filosofar ou divagar sobre determinados assuntos- como, principalmente, "modos, modas e cia"-, mas eu continuo me distanciando cada vez mais da possibilidade de falar sobre o vestido de alguma celebridade sem que isso também tenha por trás alguma  outra relevância discursiva ou, pelo menos, afetiva !

Bem, para não me estender (como quase sempre!) de uma maneira talvez tediosa e difícil de ser lida no ritmo frenético " desta rede com rombos enormes de informação" que é a internet (acredito que hoje o que importa é como peneiramos esse mar de informações que nos chegam a cada acesso e não a quantidade de desfiles que a gente consegue assistir no site da São Paulo Fashion Week!)-,vou direto ao objetivo inicial da minha postagem... 
 Falar de maneira pessoal e encantada sobre alguns figurinos de personagens de atrizes lindas e talentosas que vi em filmes recentes.

Um que não me sai da cabeça é o "vestido-camisola" de seda pura (da Lanvin, táh!) que Juliette Binoche usa em Cópia Fiel, de Abbas Kiarostami...

Eu me surpreendi com a sua divagação,  realisticamente, encenada e um tanto quanto pessimista- mas, não menos, divertida e sarcástica- quanto as questões de gênero relativas aos laços de amor e as perspectivas diferentes de levar suas vidas e "uma vida a dois". 

À parte essas observações, confesso também que não pude deixar de pensar- "copiado e conforme tanta gente"- o quanto Juliette Binoche estava elegante e estilosa naquele vestido e na sutileza do colar de mariposa (em ouro, é claro!), no cinto amarrado na sua cintura de mulher madura, no salto delicado que só uma dama com estilo usa para caminhar ao ar livre e, por fim, num casaco preto despojadamente "jogado" por cima!

Inclusive, me emocionei um bocado com uma cena aparentemente ingênua, mas incrivelmente deliciosa e feminina... quando ela vai ao banheiro de um restaurante  para passar batom e escolher um novo par de brincos... não vou contar com especifidades pra não estragar a delícia de ir descobrindo as sutilezas e os jogos de gênero da obra!

Eu saí encantada do filme... com tudo! Com o roteiro, a direção, a atuação e, muitíssimo, com o figurino que eu assumo que fiquei com vontade de copiar! Não  porque ele está na moda, ou porque descobri que é da Lanvin... para mim ele fez sentido não pela marca, mas pelo estilo e áurea que a atriz e personagem imprimem naquela roupa dentro de uma história que, de fato, se comunicou comigo fora do contexto "ctrl c ctrl v" do universo fashion!

Alguns filmes específicos e os seus figurinos me trazem grande inspiração para me vestir e produzir roupa. No entanto, mesmo que eu pense em CO-PI-AR, eu espero que as minhas singularidades não me permitam conseguir!

(parênteses):
... uma olhadinha neste trailer que eu selecionei entre vários... aiii, "me encanta"!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

"Tesoura do Desejo"



... Minha disposição expositiva voltou antes mesmo do que eu imaginava! ;)

Acho que foi o desejo intenso de expurgar as escolhas errantes, a "má sorte psico-espiritual", fechar tais ciclos e abrir alas para as boas novas vindouras... "Serão"?

Bem, pelo menos, nada mais entusiasta e emblemático nesses momentos de revolução astral do que um corte de cabelo, sim? 
Pois então... me joguei no salão de Cristiano Cabelereiro, marquei uma hora com o bom e já fiel João- no meio de uma produção de figurino que estava fazendo para a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes pela Rec Produtores- para dar uma "petit repaginada" nos fios que estavam crescendo sem muito foco e energia...

E também, nada mais óbvio e cafona do que querer relembrar aquela música de Alceu Valença... mas foi isso mesmo que fiz! Afinal, sou humana, logo: contraditóriamente, às vezes, muito contente com um up estético!

Tesoura do Desejo 
(Alceu Valença)
"Você atravessando aquela rua vestida de negro
E eu lhe esperando em frente a um certo bar, Leblon
Você se aproximando e eu morrendo de medo
Ali, bem mesmo em frente a um certo bar, Leblon


Quando eu atravessava aquela rua, morria de medo
De ver o teu sorriso e começar um velho sonho bom
E o sonho fatalmente viraria pesadelo
Ali, bem mesmo em frente a um certo bar, Leblon

- Vamos entrar...
- Não tenho tempo!
- O que é que houve?
- O que é que há?
- O que é que houve, meu amor, você cortou os seus cabelos?
- Foi a tesoura do desejo, desejo mesmo de mudar"


(parênteses): 
Serviço para Cristiano Cabelereiro
tel: (81) 3244-0570

R. Vig Barreto, 31, Graças. 
Recife_PE 

OBS: Não vá esperando ser meeega bem atendida ou tratada, a não ser que você tenha pinta de rica e/ou demonstre estar disposta a gastar mais do que em um corte de cabelo- como eu sempre faço! (hehehe) No entanto, Cristiano e os outros profissionais do salão, como João, são extremamente bem formados, informados e talentosos. É um dos poucos salões que fui e indico aqui do Recife, além de Glauce Melo- que é um doce e faz belamente as minhas sobrancelhas.  


terça-feira, 24 de maio de 2011

em realinhamento... este blog está out of fashion!

Deixarei de postar por mais algum tempo aqui... Inclusive sobre minhas vivências, olhares e inquietações pessoais- que, inevitavelmente,têm a ver com o meu trabalho criativo seja para a marca Alinhada ou qualquer outro!

Este blog vai se restringir, quando possível, as questões de trabalhos que envolvam os modos, modas e cia e divulgações relacionadas a saúde, espiritualidade, cultura e cia...

Este que, supostamente, era para ser e estar batante "antenado", ficará ainda mais desatualizado nos próximos tempos. Estou em processo de realinhamento de vida, de tempo, de percepções, de "exposições", da rotina, de médotos, de expectativas, enfim, dos meus reais interesses, relações e resultados...

Ando tentando, cada vez menos, equilibrar egos e identidades e isso não é fácil no mundo contemporâneo, aonde tudo e todos têm tag´s e têm preço de mercado e valores no networking... É isso que a gente aprende, internaliza e parece muito normal.

No entanto, mesmo no meio de tanta nebulosidade viciada na construção do ser e ter alguma coisa e não em encontrar a nossa verdadeira natureza ilimitada, me traz mais paz tentar ser, pelo menos neste momento, apenas uma pessoa comum procurando uma sobrevivência e vivências mais harmônicas e menos capitalizadas!

sábado, 16 de abril de 2011

algo "Bueno" alla em Recife hoy!

Olá que tal? Estoy en Buenos Aires delirando com a oportunidade de descobrir esta cidade... Depois vou preparar um post e/ou outro blog especial só com as dicas dos meus passeios e "olhares"!

Hoje, apenas reforço um evento bacana que acontece no ateliê onde a Alinhada está sediada:

terça-feira, 15 de março de 2011

"Pimenta 'nos olhos' dos outros...

é refresco!"

Achei fantástico este projeto de lei do senador Cristovam Buarque propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, deputado, etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública. Numa primeira análise pode parecer uma idéia radical que venha a ferir as "conquistas democráticas" do país, mas, na minha opinião pessoal, acredito que seja uma das poucas formas drásticas de começarmos a diminuir o fosso da desigualdade educacional e, consequentemente, intectual entre pobres, ricos e "preteridos"!

Obrigada à minha amiga Luza pelo importante repasse! Confesso que acompanho pouco a política em especificidades, mas me interesso de forma plena por todos os aspectos que podem fazer de nós e de nosso sociedade um lugar mais humanamente habitável! 

      PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 480, DE 2007, DETERMINA A   OBRIGATORIEDADE DE OS AGENTES PÚBLICOS ELEITOS MATRICULAREM SEUS FILHOS E DEMAIS DEPENDENTES EM ESCOLAS PÚBLICAS ATÉ 2014.
            Projeto obriga políticos a matricularem seus filhos em escolas públicas. Uma idéia muito boa do Senador Cristovam Buarque. Ele apresentou um projeto de lei propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, Deputado, etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública. As conseqüências seriam as melhores possíveis. Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil. 
           SE VOCÊ CONCORDA COM A IDÉIA DO SENADOR, DIVULGUE ESSA MENSAGEM.
           Ela pode, realmente, mudar a realidade do nosso país. O projeto PASSARÁ, SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA. Desde o começo de 2009 ele se encontra parado na CCJ - Comissão de Justiça.
            Ainda que você ache que não pode fazer nada a respeito, pelo menos passe adiante para que chegue até alguem que pode fazer algo.



quinta-feira, 10 de março de 2011

" Meus destaques ensolarados deste verão e carnaval..."

Eu tive vontade de escrever um par de crônicas durante e sobre este carnaval que acaba de findar... um turbilhão de diferentes sensações transbordou no meu ser antes, durante e agora: "depois de tudo"!
Primeiramente, eu estava super deprimida neste mês de fevereiro "por conta das contas", dívidas e da dificuldade de "free lar" nesta época do ano- quando todas as atenções e ânimos estão voltados para os melhores e mais incensados eventos da cidade do Recife e Olinda, o que gera uma certa dificuldade  para quem não está na gandaia de ficar socialmente ativa até com os melhores amigos! 
Segundo, eu comecei e ainda estou muito angustiada com o processo de escrita da monografia e a possibilidade de perder mais uma vez o Funcultura, que encerra no próximo dia 14! Terceiro, eu andei me desanimando- aliás, caindo na real!- com algumas possibilidades de parcerias que não se edificaram ainda... Resumindo, eu estava muito ansiosa, angustiada e frustrada com a "real life" até o sábado de carnaval pela manhã: quando tive uma "DR incrivelmente elétrica" com o meu marido antes de ir pro amado bloco Hoje a Mangueira Entra! Inclusive, eu só dizia "aos quatro cantos" que não era tão foliã, que só deveria brincar nesse dia e passear nos outros com o meu filho, além de curtir a companhia dos amigos que se hospedariam aqui em casa... 
Que ilusão: terminei redescobrindo "O Carnaval Multicultural do  Recife", "a insanidade ensolarada e suada de Olinda" e a minha própria "necessidade social e farrística" de ritualizar esta época do ano como um grande momento para esquecer- pelo menos por uns instantes !- as mazelas e vestir a fantasia da felicidade constante junto com todos que conhecemos e que também não! 
Eu me dei conta do quanto precisamos desse êxtase e surto coletivo de "forçada alegria" para encarar a dura monotonia "e cinzas "do resto do ano... Não à toa, a "real life" no Brasil, ou pelo menos aqui do Nordeste, só começa, de fato, depois do carnaval. Então, sejamos agora bem vindos à ela: saindo da ressaka festiva das bebedeiras e dos desejos contidos (e/ou não!), dos frouxos contatos hedonistas e/ou amistosos... Nós todos temos muito trabalho a fazer , além de "todos os chácras para realinhar", pelo menos, até o próximo carnaval chegar! ;) 

(parêntes):
Meus destaques ensolarados deste verão e carnaval:
1) Show histórico de Luiz Caldas na prévida do I Love Cafuçu.
2) Encontros no Hoje a Mangueira Entra e na descida do Eu Acho é Pouco.
3) Festinha privê só pros finos e fofos do I Love Cafuçu no Centro Luiz Freire no domingo de carnaval.
4) A irreverência do novo bloco "da cena" idealizado por Marquinhos Castro: "Bunytos de corpo"!
5) Show de Karina Buhr no Pátio de São Pedro e da "doce" Marina Lima!